Silêncio no Campus Capítulo 4 – O Atentado O tempo pareceu parar no instante em que a figura misteriosa avançou alguns passos pelo corredor central. Os olhares se voltaram para ele, mas ninguém se moveu. Havia algo de sinistro em seu silêncio, como se carregasse a decisão já tomada. Gabriel, ainda no púlpito, não recuou. Sua mão continuava apoiada sobre a Bíblia aberta, e sua respiração acelerada contrastava com a firmeza da postura. O auditório inteiro parecia dividido entre correr para a saída ou esperar que alguém fizesse algo. De repente, um brilho metálico surgiu na mão do agressor. Um grito cortou o salão: — Ele está armado! O caos se instaurou. Cadeiras tombaram, cartazes voaram, estudantes se empurravam em direção às portas. Mas, em meio ao tumulto, o olhar do homem permaneceu fixo em Gabriel, como se todo o resto fosse apenas ruído. O primeiro disparo ecoou com violência, fazendo as paredes vibrarem. Gabriel foi atingido no ombro e cambaleou para trás, apoiando-se na mes...
Silêncio no Campus Capítulo 3 – O Discurso Interrompido As palavras de Gabriel ecoavam pelo auditório como lâminas invisíveis. Para alguns, eram libertadoras; para outros, ofensivas. A cada frase, o ambiente parecia oscilar entre aplausos e vaias, como ondas que se chocavam em mar revolto. Ele mantinha a calma, olhando para os que o encaravam com hostilidade. Não era ódio o que refletia em seus olhos, mas firmeza. Sua Bíblia repousava aberta sobre a mesa, como se suas páginas silenciosas sustentassem o peso daquela multidão dividida. — Quando calamos uma voz — dizia Gabriel, elevando o tom —, não estamos apenas silenciando uma pessoa. Estamos negando a todos o direito de escolher entre ouvir e discordar. A liberdade não existe quando só um lado pode falar. Um estrondo de vaias irrompeu das primeiras fileiras. Cartazes foram erguidos ainda mais alto. Um estudante gritou: — Você não é bem-vindo aqui! Outros seguiram o coro, tentando abafar sua fala. Mas, antes que os organizadores ...
Capítulo 1 – A Confissão de Kim A luz da lua atravessava as cortinas finas do quarto, lançando faixas prateadas sobre o chão de madeira polida. Clara estava sentada à beira da cama, abraçando os joelhos, com os olhos brilhando de curiosidade e expectativa. Sua avó, Kim, sentada em uma poltrona de veludo desbotado, respirava fundo, olhando para o abajur que lançava uma luz amarelada sobre suas mãos enrugadas. Havia silêncio, pesado e cheio de lembranças que pareciam querer escapar de cada parede daquele quarto. “Clara…” começou Kim, a voz suave e trêmula, “há algo que preciso te contar. Algo que você precisa ouvir, e precisa entender.” Clara inclinou-se para frente, sentindo a emoção no tom de sua avó. “O que é, vovó? Pode me contar. Eu quero saber tudo.” Kim suspirou, e por um instante fechou os olhos, como se revivesse cada momento de sua própria juventude. “Tudo começou há muitos anos, quando eu era uma jovem como você. Talvez você já tenha ouvido falar dele… Edward. Edward Mão...
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